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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Inovação é o destaque da entrega do Prêmio Barão de Mauá – Educação 2011

CIEE, Instituto Unibanco, Secretaria Municipal de Educação do Rio e diretoria do Ciep Adão Pereira Nunes são homenageados pela Casa de Mauá
Muita emoção na entrega do Prêmio Barão de Mauá – Educação, nesta terça-feira (13/12), iniciativa do Conselho Empresarial de Educação da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Com iniciativas que ajudam a combater a evasão escolar em áreas violentas ou que promoveram a inserção de jovens no mercado de trabalho, a premiação contemplou práticas inovadoras que contribuíram para o desenvolvimento do processo pedagógico.
O 2º vice-presidente da ACRJ, Francisco Horta, abriu a cerimônia e destacou a importância da premiação.
“Temos que premiar a educação, que é o segmento mais importante para um país. Se houvesse mais investimentos neste setor, não teríamos tantos problemas sociais, especialmente ligados à criminalidade. Em muito boa hora, outorgamos uma bela iniciativa e foi uma vitória do mérito”, disse Francisco Horta.
O presidente do Conselho, Celso Niskier, explicou que o foco do prêmio foi a relevância, responsabilidade social e a inovação.
“Encerramos o ano satisfeitos, com projetos que são a verdadeira educação, que não é feita só nos gabinetes, mas sim por profissionais que enfrentam o calor e outras adversidades do ambiente externo, mas que, com amor ao ensino, não desistem”, comentou Celso Niskier.
A secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costim, ao receber o prêmio pelo projeto Escolas do Amanhã, da Secretaria Municipal de Educação do Rio, desenvolvido em 150 unidades localizadas em áreas de risco e que tem como objetivo ajudar alunos com traumas provocados pela violência.
Claudia Costim explicou que, quando observou o rendimento dos alunos do Conjunto do Alemão, Rocinha e Senador Camará, constatou que estes eram os piores da rede e que, por isso, não exitou buscar uma solução para o problema.
“Onde está a violência está o desempenho fraco. Estes alunos não precisam de compaixão, mas de educação de qualidade, melhor que nas escolas particulares. Quando o projeto começou, a evasão dos alunos do projeto era de 5,1%, enquanto que na rede era 2%. No final de 2010, chegamos a 3%. Tínhamos carência de professores, hoje não temos mais. E é em nome das 108 mil crianças atendidas pelo Escolas do Amanhã que agradeço este prêmio”, comentou Claudia Costim.
Em seguida, foi a vez da entrega do prêmio ao presidente do CIEE, o ex-secretário estadual de Educação, Arnaldo Niskier, em homenagem ao programa Aprendiz do Futuro, trabalho que a instituição desenvolve em parceria com a Fundação Roberto Marinho. A iniciativa capacita jovens para o primeiro emprego, com material didático inovador que promove a integração entre os estudantes, futuros profissionais, com o mercado de trabalho.“A premiação se refere a uma das vertentes do CIEE, em prática há quatro anos. Hoje conseguimos atender 4,4 mil jovens entre 14 e 24 anos, com uma equipe de apoio que trabalha com metas, sempre querendo ultrapassá-las. Fico feliz em ouvir a secretária Claudia Costim mostrar, em poucas palavras, o trabalho que desenvolve à frente da Secretaria. Sabemos que o índice de evasão vem regredindo, apesar do nível precário das condições de trabalho. Não vejo condições de progredir sem que haja o período integral para os estudantes. Quando se fala em qualidade de ensino universalizado, não existe nos Ensinos Fundamental e Médio, nem em quantidade nem em qualidade – temos um ensino órfão, o que é combatido com instituições como o CIEE e o Instituto Unibanco”, analisou Arnaldo Niskier.
A premiação seguinte foi para o Instituto Unibanco, que que realiza o Projeto Jovens do Futuro, cujo objetivo é melhorar a qualidade do Ensino Médio público. A iniciativa é desenvolvida em vários estado do País, atinge 2,5 milhões de estudantes e chegará à marca de três mil unidades atendidas nos próximos três anos. Em alguns estados, será incorporado à administração estadual como política pública.
Ao receber a homenagem, a superintendente do Instituto Unibanco, Wanda Engel, que é ex-professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), observou complementariedade entre os trabalhos premiados. Wanda Engel explicou que sempre tentou observar o que chamou de o “pulo do gato”, o ciclo reprodutivo da pobreza pois, quando se tira uma pessoa da dificuldade, logo vem outra. A superintendente do Instituto acredita que o fator de distribuição de oportunidades é a educação. Para Wanda, 11 anos é o mínimo de escolaridade que uma pessoa precise para conseguir algo na vida, mas estamos longe disso.“O quadro é trágico, pois evoluir nestes passos está nos deixando para trás. Os jovens estão perdendo a perspectiva no futuro. Quando saí do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o Instituto Unibanco, foi para desenvolver este projeto e observei que, para ter êxito, precisava de rentabilidade e um dos grandes avanços foi identificar o grau de desenvolvimento. Hoje temos estes instrumentos e daí surgem as metas. Precisamos dar condições para os jovens entrarem no mercado de trabalho e em 2006 decidimos que nosso foco era o Ensino Médio. Passamos a oferecer, para as escolas do programa, R$ 100 anuais por aluno que cumpriram a meta e as responsabilidades. Após três anos, constatamos que aumento de 50% no desempenho dos estudantes onde o projeto era aplicado. Com esse resultado em mãos, apresentei o projeto a todos os 27 governos do País, mas só Pará, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo toparam. Hoje, estamos em 4.117 escolas e nossa próxima meta é melhor em 15% a média dessas unidades no Índice Nacional da Educação Básica (Ideb)”, avaliou Wanda Engel.
A menção honrosa foi para a diretora do Ciep Adão Pereira Nunes, Ademilda da Silva José Maria, à frente da unidade há 16 anos. O Ciep desenvolveu ferramenta pedagógica e, com poucos recursos, conseguiu mobilizar alunos e professores visando melhorar o aproveitamento escolar. A professora apresentou os resultados de sua iniciativa.
“Quando assumi, a escola tinha 260 alunos com Ideb muito baixo. Em 2009, nossa nota média foi 4,5 e atualmente temos 535 matriculados. Só que queremos fechar 2011 com média 5. Não temos mais evasão escolar, e temos projetos que valorizam a cultura, arte e a tecnologia. Administrar é importante, mas a pedagogia é mais ainda”, analisou Ademilda Maria.
A professora convidou a coordenadora pedagógica do Ciep, Gisele Cordeiro, que deu mais detalhes sobre como funciona a ferramenta pedagógica.
“A inovação tem a ver com a mudança da relação aluno – professor. Nesse contexto, os alunos são os monitores dos professores – é uma inversão, que consiste numa contribuição por parte dos estudantes na parte tecnológica, especialmente. Como são mais interados com a tecnologia, os alunos dão dicas, por exemplo, sobre como manusear um datashow ou um programa de computador. Com isso, o professor passou a olhar o aluno de uma forma diferente e isso fez toda a diferença”, completou Gisele Cordeiro.
O presidente do Conselho Empresarial de Educação da ACRJ, Celso Niskier, fez o encerramento da cerimônia e ressaltou a realização dos educadores presentes ao eventos após as homenagens.
“A palavra comum em todos os discursos foi ‘meta’. Para mim, isso é uma novidade, é o renascimento da força da educação. Trata-se do novo DNA da educação. Para 2012, teremos muito trabalho e desafios pela frente. Esse, na verdade, é o grande espírito empreendedor do Barão de Mauá”, concluiu Celso Niskier.

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