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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Diretora da escola campeã do Ideb diz que o maior orgulho é ter uma família com 502 filhos: “Quem faz a diferença é o professor”









Diretora do Ciep Glauber Rocha, a melhor escola do Ideb do 1º ao 5º ano no Rio e a terceira melhor do país (*), Ioliris Paes Alves, de 47 anos, conseguiu o que parecia improvável quando assumiu o cargo, em 1996. Na época, o começo não foi animador: na estreia, descobriu que todos os ventiladores de teto do colégio haviam sido roubados no fim de semana. Naquele momento, o Ciep contava com 89 alunos, 11 funcionários e pouco ou nenhum respeito da comunidade. Dezesseis anos depois, a escola de Ioliris fez algo que parecia impensável.  
Extra: Quando você decidiu que queria ser professora?
Ioliris: Decidi ser professora ainda criança. Eu não brincava com brinquedos, como boneca. Brincava com quadro negro, hidrocor e lápis de cor. Até usava as bonecas, mas para dar aula para elas. Sempre dizia que queria ser professora. Só não dizia que queria ser diretora. Isso veio em consequência do meu trabalho em sala de aula e com a comunidade.
Extra: Qual o papel da escola?
Ioliris: Quem faz a diferença na rede pública é o professor na sala de aula. Não importa o que ele tenha no entorno. Ele tem que promover um ambiente de ensino para o aluno. Nosso papel é muito forte na sociedade. A gente tem que vir com o foco de mostrar na sala que aquela criança pode mudar a vida e o destino dela estudando.
Extra: E qual a função do diretor?
Ioliris: O diretor é o grande articulador do processo de ensino e de aprendizagem e também é um líder da comunidade. O delegado, o padre ou diretor de escola são as pessoas procuradas quando a comunidade mais precisa. A gente tem que ter essa questão bem resolvida dentro da gente. Só podemos ajudar as pessoas se estivermos preparados para isso.
Extra: Como era o Ciep Glauber Rocha quando você chegou?
Ioliris:A comunidade não gostava da escola. Ela rejeitava. Não havia um trabalho sério. O Glauber Rocha hoje é uma referência, mas naquele momento era o contrário. Era um depósito de alunos, não era uma instituição visando a metas educacionais. Tínhamos um prédio no meio e um matagal no entorno. Tinha vazamento de água e só usávamos um lado do prédio. Eram 89 alunos, não esqueço desse número. Hoje, já são 502 estudantes matriculados.
Extra: Os alunos do Ciep são de áreas carentes. Em que condições chegam aqui?
Ioliris: Hoje não vejo tanta miséria. Mas já vi na porta do colégio, na véspera de um feriado na quinta-feira, uma avó dizendo para o neto comer tudo na escola, pois ele só ia comer de novo quando tivesse aula na segunda-feira.
Extra: O Glauber Rocha funciona em período integral. Isso ajuda nos bons resultados?
Ioliris: A escola de tempo integral tem que ser ampliada e é para ontem, para que a criança não fique em outros lugares, mas na escola aprendendo coisas boas.
Extra: O que precisa melhorar ainda no colégio?
Ioliris: Você vai dizer que sou maluca, mas quero uma ampliação. Mais salas para que outras crianças tenham acesso a tudo que vem acontecendo aqui.
Extra: Como manter o Ideb?
Ioliris: Cada vez mais investir num ambiente letrado para todos, desde a creche, sempre com um foco de manter um ensino de qualidade para essa comunidade. A nossa maior meta não é atingir notas altas, mas sim fazer as crianças aprenderem.
Extra: Com tanta dedicação, como fica a família, tem filhos?
Ioliris: Sempre fui deixando para depois. Chegou um ponto que já não havia mais idade para ser mãe, mas tenho meus filhos daqui. Todos me chamam de mãe, mãe loura (risos). Só me chamam de mãe.

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